Fim-de-semana recheado de derbys um pouco por todo o mundo, o destaque ia naturalmente para o do nosso país, o clássico dos clássicos em Portugal, o jogo que pára Lisboa e o país, um Benfica vs Sportinge que em qualquer situação é um jogo especial. Como o são todos os derbys, no país vizinho um menos empolgante Espanhol vs Barcelona ou na melhor Liga do mundo, o Everton vs Liverpool. Talvez o mais interessante de todos esteja guardado para domingo, quando o Inter de Mourinho enfrentar o primeiro grande teste desde que o português assumir o comando e defrontar o vizinho AC Milan. Bem mais longe mas não menos escaldante, o Internacional de Portalegre que procura um lugar na Libertadores defronta o Gremio que luta pelo título de campeão.
Se tivesse de dar uma definição para derby diria porventura, partida de futebol entre equipas da mesma cidade, com características muito próprias, que é quase sempre muito mais que um jogo, e onde perder é muito mais doloroso. Os derbys são jogos bem mais quentes, onde o bom senso nem sempre impera, dos jogos que já se realizaram e enquanto escrevo felizmente não tenho notícia de problemas no jogo de Lisboa, creio que a vitória do Liverpool no terreno do Everton não causou também desacatos, mas infelizmente na cidade de Gaudi não se pode dizer o mesmo, e graves confrontos obrigaram à interrupção do jogo. Quando ainda falta disputar o derby de milão e um no Brasil, são normais os receios, pois ainda há muitos que confundem paixão com insanidade.
É possível sofrer sem bater, é possível perder sem causar desacatos e no fim de contas, se pensarmos bem na vida, não deixa mesmo de ser apenas mais um jogo. Ninguém pode dizer que sofre mais pela sua equipa que eu pela minha, mas isso não pode ser justificação. Estes jogos servem para ser recordados durante décadas como os 7-1 ou os 3-6 em Alvalade ou até o que deu o último título de campeão ao Benfica. Mas devem ser recordados pelas melhores razões, ou porque tiveram recuperações épicas como na época passada no 5-3 para a Taça, ou porque tornaram um jogador num mito, nunca pelas piores, como graves confrontos, ou pior, como a triste e revoltante final do Jamor onde se tirou estupidamente uma vida!
Viver um jogo destes na bancada é algo que não se consegue explicar, e gritar golo ou ouvir o estádio quase vir abaixo depois do mesmo, que arrepio. Isto é que interessa, isto é paixão, isto é o futebol, a entrega, o desportivismo, a rivalidade, porque sem ela o desporto não é o mesmo.
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